Duna: Parte Dois (2024) | Analíse com spoilers
Título Original: Dune: Part Two
Título Brasileiro: Duna: Parte Dois
Diretor: Denis Villeneuve
Distribuidora: Warnes Bros. Pictures
Elenco principal: Thimothée Chalamet, Zendaya, Javier Barden, Josh Brolin, Austin Butler, Florence Pugh & Rebecca Ferguson.

Assistir a um filme no seu segundo fim de semana, pode ser uma experiência devastadora, principalmente para aqueles que são ativos nas redes sociais e muitas das vezes acabam recebendo imagens ou textos que não queriam ler, para não estragar sua experiência.
Infelizmente foi o quê aconteceu comigo com a segunda parte de Duna, além da alta expectativa criada por todos que diziam que a continuação era "o ápice de Villeneuve", por esse motivo, fui a sessão com a maior ansiedade possível e não recebi o que me foi prometido. O que não quer dizer que o longa é ruim!
Em "Duna: Parte Dois", seguimos logo após a cena final do primeiro filme, com a jornada de Paul Atreides com sua mãe, após a queda da Casa Atreides no ataque dos Harkonnen. Os dois estão junto aos nativos do planeta de Arrakis, que acreditam que Paul é O Escolhido de suas profeciais, ou como diz - e muito - o personagem do Javier Bardem, o Lisan Al-Gaib.
Do momento que eles chegam ao seu destino, os Fremem vão testar ao máximo Paul para descobrirem se ele é da mesma forma que as profecias dizem que é.

A história se torna em alguns momentos monótona, ela é sim movimentada, diferente da Parte Um, mas todo esse movimento na maior parte das vezes pouco muda algo efetivamente, o filme perde muito tempo reiterando que Paul é o Escolhido, com todos os testes na primeira uma hora e meia de exibição. O longa ganha muito com a chegada do personagem de Austin Butler, Feyd-Rautha. A sequência no "coliseu" Harkonnen é de brilhar os olhos e todas as cenas são elevadas com a sua presença.

Da segunda metade a diante, o filme se torna um espetáculo cinematográfico, e não para mais até o fim.
Técnicamente, o longa é um primor, aqui Denis Villeneuve é colocado em seu teste máximo como diretor e se sai muito bem, tudo é bem filmado e claro pro espectador entender o que acontece, os takes de plano aberto são belíssimos e de tirar o folego, Denis chega ao seu máximo na cena onde Paul tem o seu teste final e vai aprender a "domar" um verme, essa sequencia apresenta direção, fotografia e trilha sonora no seu mais alto nível.

A direção de fotografia ficou, mais uma vez, nas mãos do incrível Greig Fraser, onde ele mostra tudo que sabe. Todas as cenas tem uma imagem que facilmente pode se tornar tela de fundo de celular, computador e mais, pois são um tremendo espetáculo.
Já a trilha sonora do extremamente conceituado Hans Zimmer é perfeita, desta vez sendo mais discreta do que na Parte Um, mas quando necessária aparece e te transporta para dentro da tela, a sensação das músicas é fora da curva, Hans mostra outra vez que ainda sabe como fazer isso.
O roteiro do filme se atrapalha algumas vezes - dessa vez assinado por Villeneuve e Jon Spaihts - quando quer afirmar algo, e também é precário em seus diálogos, onde Denis já afirmou que não é tão fã deles:
"Francamente, odeio diálogo. O diálogo é para o teatro e para a televisão. Não me lembro de filmes por causa de uma fala boa, lembro-me de filmes por causa de uma imagem forte. Não estou interessado em diálogo. Imagem e som puros, esse é o poder do cinema, mas é algo que não é óbvio quando você assiste filmes hoje. Os filmes foram corrompidos pela televisão". Disse o diretor.
Isso é algo que prejudica e muito as falas dos personagens, que muitas das vezes parecem robóticas e protocolares, dificultando a conexão com as personagens.
Em geral, Duna: Parte Dois é um bom filme mesmo com seus deslizes, para o expectador médio que não for com a expectativa altíssima, esperando o prometido "filme do século" vai acabar tendo uma boa diversão e provavelmente se interessará muito mais no universo de Frank Herbert.
Para Duna: Parte Dois, nota 8.
Por Gustavo Barbudo.

